Perfil Herchcovicht

maio 26, 2009

Aproveitando o embalo do Herchcovitch para as massas, confere o perfil dele que produzi para a Revista Cidade B. Herch confirma pra gente: A moda é da geral.
Olha a gente aí:
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A moda é da geral

Para a revista Cidade B #12 nov/dez 2008

Em Porto Alegre a semana de moda tem função bem específica: apresentar ao consumidor final o que em seguida estará nas vitrines do mesmo shopping onde o evento acontece. Bem diferente das fashion weeks pelo mundo, com seus conceitos ditados por looks complexos, que em sua maioria só ganham as ruas depois de uma importante adaptação ao verossímil.

O Donna Fashion Iguatemi cumpre bem o seu papel. Damas e bibas da alta sociedade porto-alegrense saem informadas sobre aquilo que está exposto além do estacionamento. Isso quando conseguem fazer com que suas atenções ultrapassem seus umbigos.

Logo ali está Alexandre Herchcovitch, sentadinho tranqüilo no banco em frente ao seu QG nos pampas. Resumindo, o estilista esclarece: a SPFW lança ao atacado, o DFI ao varejo. “A moda teve que se profissionalizar para não ficar limitada a algo mambembe. Os cursos, a organização das semanas de moda e tudo mais, reforçam que moda é um negócio”.

Ele observa sua loja atento, enquanto Johnny Luxo prepara as pickups que embalaram a tarde de autógrafos de três livros do estilista. Emoldurado por um divertido fone de ouvido todo colorido, from LA, o DJ explica que ama a música tanto quanto a moda e que, entre esses dois universos, já fez de um tudo nessa vida. Luxo e Herchcovitch dividiam uma única frustração nesta vinda a Porto Alegre: não tiveram chance de trazer a Alelux, festa comandada há cinco anos pela dupla, com noite fixa no Clube Glória em São Paulo. É consenso para os dois afirmar que a moda inspira a música e vice-versa.

“Alguém da organização do evento falou que Porto Alegre não teria público para nossa festa em uma quinta-feira”, lamenta o estilista. Explico que ele havia falado com a pessoa errada. Mentes limitadas nos privam do direito a uma boa festa.

O criador apresentou sua nova coleção inspirada no tema Guerra e Paz. Sim, tem certo cunho político, mas ele não levanta nenhuma bandeira que não seja a da liberdade. “A coleção feminina representa o exército do amor. Uma mistura de roupas militares com lingerie, georgette de seda, silhuetas suaves. Na coleção masculina a inspiração foram alguns uniformes militares de países que vivem em conflitos territoriais. Então tem muita influência do Oriente Médio, África, Leste Europeu…”, explica. A mescla de tecidos e estampas forma a vestimenta de um fictício exército multi-étnico, onde Herchcovitch lembra a todos a idéia da união entre os povos. Um toque de virilidade militar cabe aos homens, enquanto a leveza e fluidez dos tecidos emprestam delicadeza às guerreiras do amor.

A carreira de Herchcovitch, que já completa 15 anos, começou com uma camiseta desenhada no começo dos anos 90 e eternizada desde então com sua marca registrada: a caveirinha. Naquela época ele assinava o look de prostitutas e travestis da Augusta. Sem demora seu trabalho ganhou destaque e personalidade bem definida. Livre das tendências, as referências usadas em suas criações são as mais diversas. “Minha inspiração constante são as coisas banais, do dia-a-dia. Não tenho regra. É aquilo que estou vivendo, somado ao histórico da marca, uma reunião de dados que gera uma coleção nova”, conta.

Para provar que ícones são insuperáveis, a imagem clássica criada pelo estilista aparece soberana em uma extensa linha de produtos licenciados. A caveirinha de Herchcovitch é pop, estampada em utilitários de cama, mesa e banho. Ele considera a popularização de seu trabalho um serviço à sociedade: “Porque alguém com poder aquisitivo menor não pode ter um edredom bonito em sua casa? Tem que ter um barato, mal cuidado com estampa feia. Acho que o design, bem aplicado, pode atingir todos os bolsos”. Em seguida afirma: “A moda hoje não é restrita, é da geral”. Mas tem uma ressalva: prefere termos como “acessível” ou “democrático” ao invés de “popular”. Ele conhece as limitações tupiniquins: “O brasileiro é um bom consumidor, mas é apegado ao preço. Para dar certo aqui, é preciso trabalhar com a expectativa certa em relação a valor e público”. O mercado do sul agrada muito ao estilista que destaca a mulher gaúcha: “Ela é bem arrumada. É minha compradora e muito exigente, diga-se de passagem.”

A idéia certa, para a pessoa certa, no custo certo. No mais, o grande desafio é comunicar través da roupa. Ela é expressão: mais do que fala, conversa, grita, reproduz pensamentos em tecidos, formas, cores, estampas. Grita tão alto que já ouviram lá do outro lado do mundo. Desde o ano passado Herchcovitch tem endereço em Tóquio. Sua marca já vestia os orientais há 10 anos. “A loja só veio consolidar o conceito de que um dos maiores mercados de moda está no Japão”, pondera Herch. O próximo plano é abrir as portas em Nova York. Sem entregar muito sobre o futuro, ele chama a idéia de embrionária. Por pouco tempo. Pelo andar da carruagem, a Big Apple logo terá endereço para Alexandre Herchcovitch.

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One Response to “Perfil Herchcovicht”

  1. Cami Says:

    que lindaaaaa! arraso.


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